quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Aliança invisível
Podia toca-lá, senti-lá em meu dedo, aliança invisível, o pacto. Pacto selado a sangue, vinho e paixão.
Assinei a sentença: PRISÃO PERPÉTUA.
Viveria esse amor aprisionada, alheia, devota.
Corri para a caixinha de costura da mamãe, desenrolei um pequeno cumprimento de uma linha roséa, amarrei-a em meu dedo com um nó, e finalizei com um modesto laço.
E agora andava pelas ruas, o sol das duas da tarde, muito feliz a sorrir e a minha pequena alinça estava lá. Em meu dedo o fio roséo me aprisionava, eu gostava, segura, um boba apaixonada.
Ao som de
Homeless Happiness - Madeline Peyroux
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Terra à vista.
Vou seguir, este é o meu porto, vou descer seu Cabral.
sábado, 7 de novembro de 2009
"Buraco Negro"
Outra vez a insonia. Era esta terrível e barulhenta quietude, não me deixava dormir desde. Desde sempre.
E minha pequena jaula, hoje estava iluminada. Pela luz celestial.
Fiz minha prece ao Deus grande e redondo, e num céu límpido e obscuro, quase um buraco negro no qual eu me perco todas as noites.
Quero dançar, assim como as arvores. Eu vou fugir. Decidi me libertar, vou quebrar este estúpido vidro. Joguei-me (de olhos fechados) contra o vidro para quebra-lo, o vidro partiu-se. Quando percebi que estava fora do vidro, que a jaula já não me prendia, senti-me sufocando, sufocando. Era o ar adocicado, da primavera, da liberdade. O relógio badalou. Aquela era a liberdade, doce e mortal. Eu não consiguiria inspirá-la, eu já estava morta na décima segunda badalada do relógio velho na velha e mofada parede.
O velho relógio continuou. Tic tac. Tic tac.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Memória Sensitiva
com sofreguidão, mil venturas previ"
Sempre me recordaria dele assim.
Na rua, todo a meninada gritava e brincava, mas ele estava sentado, na ponta da cadeira muito grande pra ele ainda pequeno, acompanhando um velho amigo pouco simpático talvez, todavia os fins de tardes na varanda de conversas intermináveis, de histórias do tempo em que o velho era jovem. O menino ouvia ao velho fascinado, podia ver através do olhos dele todo o mundo.
Em meu ouvido o menino sussurrou esta memória quase que remota, os olhos que me fitavam cheios de anseio e desejo, não eram mais do menino, o toque que me arrepiava, o hálito quente, ele não era mais o menino.
Peguei ele me olhando. À espreita. Me olhando. O menino.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
José Cuervo
Todo meu mundo girava, minha cabeça. Minha visão deturpada e colorida, e em todos os cheiros, eu sentia o seu. Segurava-o em mim, contra meu corpo apertava-o e inspirava mais uma vez o cheiro seu, equilibrada na incerteza tremia me toda.
Sentia em mim, você. O seu hálito quente, falava perto de mim. Ah! - Vai abraça-me, não vá. Fique. Fique bem aqui, em mim.
Sem despedida, se foi. Voltei a tremer em contrário ao prazer, mas pelo frio que sua falta, o vazio trazia. O que faço? Não conseguia gritar, falar, sussurrar teu nome. Você iria? Se te pedisse você viria, correndo chegaria e nos teus braços eu cairia. Cair agora, seria uma opção? Não, é meu destino.
Não controlava minhas lágrimas, e o amargor na minha boca. E lutando uma batalha cruel, incontrolável e inefável, vou enlouquecer.
Ao som de King of Pain - Alanis Morissette
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Veneno meu, Mentira sua
De todas, todas aquelas mentiras. Que eram contadas em segredo,
um sussurrar ao pé do ouvido como o vento que fazia seus cabelos voarem. E seus joelhos afundados na areia, o olhar perdido, a falta de palavras a respiração compassada como um velho hábito.
Não mais poderia aturar. Murmurava maldições, o veneno não era instantâneo estava-a corroendo aos poucos. Despedia-se de tudo, o mar dizia-lhe adeus lambia-lhe as pernas, tocava-se toda, aquelas mãos de toque suave entrepassavam pelas pernas abertas levantando o vestido, subindo o arrepio.
Ofegante, sentiu o veneno partir-lhe o peito, queimar-lhe a garganta, adoçar-lhe a boca, deitou-se na areia e pôs-se em posição de morte, em último sentir desfrutou o prazer sorrateiro do fim.
Ao som de Billie Holiday - I'm a fool to want you
quarta-feira, 1 de julho de 2009
À Justa Medida
Da angústia de viver aprisionada. Da liberdade medida -"Não fale com estranhos". Das paredes pintadas em cores amenas.
Olhava disfarçado e ria.
E quando eu olhava, sem disfarce quase corada -corajosa- eu já sabia.
De repente, ele envolveu-se nos seus cabelos por entre os pensamentos. Agora não sabia de nada mais. Quem eu era, se eu era ele ou se ninguém. Niguém. Seria ninguém, seria forma alguma, com nome nenhum.
Seria o sentimento mais solto, livre ao vento.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Sentir, amar, comer, cheirar, libertar.
De achar "o" feio do mundo, mais que belo, aprecia-lo junto á normalidade.
Libertei.
E minha vã vontade de dizer tudo o que sinto por você. Não consigo. Se não descrever com lágrimas e olhares, queria te ter assim, todas as manhãs - Bom Dia - contudo, eu enjoaria e esqueceria o sabor do inesperado.
A mercê do sentimento, tão pequena fiquei e ele tão grande, alcançou arranha-céus.
Caprichoso o destino meu, quis assim oferta-me a você, que contrária deu-se a mim.
Das pessoas, do vento, do tempo, já nem sei se vai chover. Vou abrigar-me em suas asas.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
E a vida sempre a passar.
Aonde vai dar? E já nem sei se quero saber responder.
Saber se iremos nos ver noi proximo aniversario, ou por avenidas aí nos esbarrar.
Oh Destino! oh, rogo que não dixe, rogo e peço-lhe não faça deles e de mim, um desvio no meio do caminho.
Vamos prometer, juras fazer.
Promessas com sangue, será tudo igual.
Sempre, Será tudo igual. A jovialidade de nossos sentimentos recém descobertos, e aventuras tão cheias do entusiasmo pela vida, pelo amor, pela dor.
Obrigada.
Ao som de Zeca Baleiro.
Despedaçados os olhares trocados
E não conseguia desviar o olhar, perseguia aqueles olhos, que desviavam do meu, queria que me contasse e segredasse, que se jogasse nos meus braços e chorasse pedindo perdão por amar-me demais.
Contudo, ela fingi não sentir o que sente. Eu fingo que acredito nela, quando esta se nega. Ela me nega. E então saímos felizes, pisando em cacos, pisando em nossos cacos, Estilhaços de nós. Ao chão, são os meus estilhaços que choram, os dela respondem ao meu choro com, um riso de canto de boca, amarelo.
Meses. Mês de choro, outro de tristeza angustiante. Outros ainda, sentia o calor de sua respiração, assim perto de minha nuca, e consolada a tristeza aparente e apática de meus olhos, distantes observavam-a.
E mais meses vieram, a estação mudou, o mundo girou.
Nos encontramos, passamos e cruzamos o mesmo farol, desconhecidos. Éramos agora estranhos um para o outro. E gosto, o necessário para sentir, e não fingir que te esqueci é agora questão da minha honra.
Eu espero que tudo acabe, quando comece.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Leve, como leve pluma
Mal amada, deve estar pensando enquanto lia, contudo não. Estive amando, digo assim, pois o amor, hoje em dia, funciona como verbo. Estou amando, Ele ama, Nós amamos.
Desejo paixão. Era isso, não queria a felicidade generosa do amor. Paixão, egoísta, canalha e sem recados na caixa de mensagens do estilo, "Liguei porque queria ouvir a sua voz, estou com saudade. Beijo, depois te ligo".
E liga. Pode esperar, ele ligará novamente.
Sai pra rua. Á procura, do canalha e sujo, quente e sem nome, da paixão. Ao menos a estação, me ajudava. O verão. As pessoas suadas, e meladas de desejo. O rapaz desejava a Menina do vestido verde. A Menina do vestido verde, bom aquela menina, queria a Menina com cabelo rabo de cavalo.
Estava procurando no lugar certo. Achei-a. Talvez, não sei. Sempre eu fui, a do contra, a que marca a opção negativa.
De repente, ele envolveu-se nos meus cabelos por entre meus pensamentos. Pernas tremulas, sua mão aperta minha nuca. Nego-me, viro o rosto, mordo meus lábios com vontade. Ai, como eu resisto. Não resisto.
E ao termino. Ele me impedia de ir, segurou me por pouco tempo, estava inebriado com o perfume e formas de uma mulher. A minha mulher.
Enquanto o vento por entre passava meu cabelo, cabelo de textura do tipo que merece um poeta a descreve-lo, e rodopiava o vestido florido, que marca minha silhueta. Desci a ladeira ensolarada, com a crianças todas à sarjeta, lambendo seus sorvetes.
Contudo, assim que passei por uma pequena casa de cor já desbotada. Um casal de velhinhos, sentados em banquinhos de mãos dadas observavam a rua, talvez seus netos que brincavam.
Quando por breve segundos, não sei se por acaso quisessem dizer algo um para o outro ou uma troca de olhares simples e carinhosa seguida de um belo sorriso "te amo", eu quis. Desejei o do próximo. Quis pra mim, algo assim. Um amor de tantas rugas.
Eu sou assim assado, de um extremo à outro. Nunca o meio tremo, meio torto, meio certo, meio errado.
Ao som de "Um Blues" Bruna Caram, escrito.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Saudações Femme II
Quero mesmo, que você acorde a "bela adormecida". Esperarei ela vir à tona. Ansiosa(pretendo vê-la de perto). Um dia você, caiu do casulo, pronta mas, sem perceber tal fato, continuou a rastejar-se. Aos poucos, ergueu-se, o vento soprou uma brisa que abriu as asas que você desconhecia.
Não há necessidade de gratidão. Fui eu, quem te estendeu a mão: Olá.
Eu provoco. Meu dedo indicador, cutuca. Contudo, eu desconheço o motivo, pelo qual me arrisco, dou a mão á palmatória. E tu, sabes? Sabes, o por quê do meu querer de teu despertar? Conte-me. Mostre-se. Mostre a mim.
sábado, 25 de abril de 2009
Minha vida passageira.
Hierarquia: não existe.
Tempo: meu temor.
Somente de passagem.
Você é quem está de passagem. O Tudo fica no seu devido lugar mas, sua vida, a minha vida, são de passagem. Levamos na alma, o Tudo. E o tudo fica com os meus pés marcados em seu chão, minhas mãos estão pintadas na parede, minha voz ainda ecoa por seus corredores.
Desejarei e sonharei, em voltar. Em minha lucidez eu saberei, que fui feliz no tempo que me fora dado, para viver lá.
Minha juventude esta marcada. "KK"
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Despedaçados os olhares trocados
E não conseguia desviar o olhar, perseguia aqueles olhos, que desviavam do meu, queria que me contasse e segredasse, que se jogasse nos meus braços e chorasse pedindo perdão por amar-me demais.
Contudo, ela fingi não sentir o que sente. Eu fingo que acredito nela, quando esta se nega. Ela me nega. E então saímos felizes, pisando em cacos, pisando em nossos cacos, Estilhaços de nós. Ao chão, são os meus estilhaços que choram, os dela respondem ao meu choro com, um riso de canto de boca, amarelo.
Meses. Mês de choro, outro de tristeza angustiante. Outros ainda, sentia o calor de sua respiração, assim perto de minha nuca, e consolada a tristeza aparente e apática de meus olhos, distantes observavam-a.
E mais meses vieram, a estação mudou, o mundo girou.
Nos encontramos, passamos e cruzamos o mesmo farol, desconhecidos. Éramos agora estranhos um para o outro. E gosto, o necessário para sentir, e não fingir que te esqueci é agora questão da minha honra.
Eu espero que tudo acabe, quando comece.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Meu amor revolucionário
Causar uma revolta.
Quero fazer a revolução do amor. Uma revolução no amor.
Poder amoar a quem eu desejar, doar e repartir meu amor,
com os pobres de amor na alma.
Eu vou reconstruir a forma de amar, que seja então, livre.
Você pode reistir mas, quando o vento floral da minha primaversa revolucinaria soprar, você irá cair perante o amor.
Marina
Dê a si mesma, respondeu num sorriso sarcástico o reflexo no espelho.
Mas o refrão, da velha radiola, cantava:
E tudo o que eu posso te dar é a solidão com vista para o mar.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Correspondência
Porém, também me permiti, ficar sem a dita, certeza.
Você conhece o Caio Fernando Abreu, é um escritor já morto (digo morto e não se assuste, não encontro problemas em dialogar com ela, a morte. Assim, como dialogo com a vida.)
Leio, sempre que posso. Livros de amigos meus, alias tenho um dele. Neste ele trata de anjos e espiritualidades, de forma dócil e bonita. Digo e Adimito. É dele canalha, humano, deprê, sentimentalista barato movido a alcool, eu gosto.
Devorei seus contos, assim. Com os sentimentos ordinários humanisticos, dos bichos brancos (termo que ele utiliza, pra deescrever humanos).
Finjir, na hora Rir
Por quê?
Queria um abraço seu!,.. conversas, assuntos aleatórios, você não entenderia, mas ainda assim estaria aqui! Concordaria comigo, em seus olhos eu sei, você não entende, berraria contigo por não enterder, o que nem eu entendo. Calma e passiva. Espera eu acalmar-me. Sento na poltrona, desajeitada, volto a falar. Finjo não ter feito nada.
Que pena! ele nem deve lembrar-se mais de mim.
Encantaria de novo, e novamente. Ele se encantaria. Porque você não mudou.
Enganasse my darling.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Moderação Desabafo Certeza Não Obrigada
Mais dias como o ontem. Na minha vidinha de Adoloscente, pré vestibulanda, chata, com rotina, direitos e deveres mau resolvidos. Amores e Amigos. Vodca ou Pinga?
Qual é, você fingi viver, e eu finjo não fazer besteiras!
Se a vida fosse um eterno 04 de abril seria perfeita..
mais veio o 5, o 6 e o 7 de abril, e cabe a nós torna-los também perfeitos...Papo patético de esperança tola ainda intocada pela desilusão.
Não me importam os dias, as horas. Eu queria a Paixão, o Vinil, o Vinho, o Jantar, Meus Amigos,
Minha mãe disse-me: Você é chata. ninguém te entenderá deste jeito, complexa toda vida.
Meu jeito afobado de ser, desesperada por resposta, á tudo. Fazendo interpretações romanticas e femininas: o que será que ele ve em mim?
Cheia de palavras engasgadas, com nó na garganta de tantas
não, não estou chorando meu bem. Por enquanto.
Esta mais para acumulo de palavras. Bom, tenho falado desnecessáriamente, nos momentos em que o silencio bastava.
sábado, 28 de março de 2009
Angela
Ofertou-se inteira e dócil a um fácil seduzir
Sem saber que o destino diz verdades ao mentir
Doce ilusão do amor
Arrasada, acabada, maltratada, torturada
Desprezada, liqüidada, sem estrada pra fugir
Tenho pena da pequena que no amor foi se iludir
Tadinha dela
Hoje vive biritada sem ter nem onde cair
Do Acapulco à calçada ou em frente do Samir
Ela busca toda noite algo pra se divertir
Mas não encontra não
Desespera dessa espera por alguém pra lhe ouvir
Sente um frio na costela e uma ânsia de sumir
Transa modelito forte, comprimidos pra dormir
E não acorda mais
domingo, 22 de março de 2009
O Analista
O homem. Chegou poucos segundos depois de mim, impaciente, não ficou sentado no sofá de brechó, (gelado) da sala de espera. Nesta sala, continham as mesmas coisas, que têm outras salas de espera, a música ao fundo era da radio que minha mãe ouvia todas as tardes, havia uma mesinha de canto com revistas já velhas, uma secretária que muito provável seria Tia-Avó do Analista.
Ele, talvez. Não, é certeza, ele não estava por vontade própria naquela sala. Talvez, a mãe o tivera obrigado, longínqua hipótese, sua mulher o tenha obrigado. De barba por fazer, camisa bege mal passada, sapato preto; tragava desesperadamente cada cigarro, fumou três ou quatro andando, de um lado á outro, sempre olhando para a porta fechada, onde se encontra a verdade, a que viemos, ambos buscar.
Recorri em última alternativa. Pois até Deus, se cansara de me ouvir. De ouvir,
minhas intermináveis dúvidas de incredulidade. E no silêncio misterioso do Divino, escuto os berros insanos da verdade.
2. A sombra da Mulher
Não bastava-me. Eu havia descoberta o humano, no analista. E não queria o mais. Minha descoberta atordoava-me. Sem direção, saí a rua.
Caminhou ao meu lado, tentando alcançar meu ritmo de passos. Sua voz suave e educada "Por favor, será que posso acompanha-lá?". Olhei para trás, e vi uma sombra, sem encara-la respondi afirmativamente com a cabeça. Esperei- a chegar até mim. Justificou, que àquela hora não se sentia bem em andar sozinha por aquelas ruas depois do escurecer, não havia percebido já tinha escurecido.
"O que uma jovenzinha faz tão solitária?"
"Tentando recolher meus pensamentos pelo caminho."
"Quando tiver a minha idade, não vai mais querer perambular na solidão, como faz agora." Levantei meus olhos, na tentiva de ve-la, com a ajuda da fraca luz, do poste do outro lado da rua. E novamente, falou de que não deveriamos andar sozinhas. "Você parece não temer, por quê?"
"Não tenho medo, sinto-me confortável e segura ao andar por aqui, que não sei onde.". Percebi que seus olhos procuravam minha face que, encarava o chão á procura do perdido, interrogava-me de lábios selados.
"Creio que seja pela relação que tenho com o passado. Minha mãe morou logo ali - apontei a capela do cemitério - cresceu com os fantasmas qu aqui habitam e que tanto te assutam. Eles me são familiares."
Espantou-se. Arrepeiou-se e parou. Parou boaquiaberta. Ao perceber meus fantasmas. E eu sem olhar para trás, continuei. Sempre continuava. Sempre acompanhada. Eu e meus fantasmas. Não havia ninguém, alma alguma, que me entendesse, como as almas que vagavam andarilhas ao meu lado.
Copiosa será minha felicidade.
I feel it all, I feel it all
Ooo, I'll be the one who'll break my heart
I'll be the one to hope come
E de repente, novamente me abrigo nos fartos seios da felicidade.
sexta-feira, 20 de março de 2009
DIA DE ANIVERSÁRIO
Pensou novamente, na normalidade. Que isso, dizia consigo mesma. Você deveria estar feliz, o dia de hoje é todo seu! Talvez a chuva. A chuva pode ser algum sinal, pois um dia, há algum tempo, ela ficaria feliz por começar a chover. Gostava de sentir o cheiro, que precedia a chuva de vereneio. Mantinha a superstição, de quê a chuva traria algo novo. Uma crença esperançosa de uma jovem de pouca idade e experiência.
Quando criança,á noite, pouco antes de dormir de joelhos ao lado de sua cama - rezava - Senhor?!Eu queria ser sozinha.
Hoje, talvez, justamente hoje, aquela menina que pedia solidão. Em seu aniversário, pede o contrário. Peça, então, deseje de olhos fechados. Que seus amigos brindem suas vidas em comum, levantando copos americanos com cerveja, gritinhos e felicidade.
sexta-feira, 6 de março de 2009
O menino gigante e o astronauta da planeta distante
Há muito tempo, um pequeno astronauta resolveu que sairia de seu planeta, iria atrás de luz. Deixe-me explicar, no planeta do pequeno astronauta, ou era dia ou noite. Durante o dia, havia luz, mas, a noite era completa a escuridão.
Então, depois de algum tempo viajando pelo espaço, ele decidiu parar e pousar. Escolheu, por fim, um planeta de cor esquisita e engraçada, meio amarelo, meio verde, meio roxo e meio vermelho. Saiu da nave para explorar o planeta, quando encontrou uma caverna, um tanto iluminada. Olhou pra dentro da caverna iluminada, e sentiu uma grande curiosidade, em saber de onde vinha tanta luz.
Andou por muito tempo até, chegar ao fim da caverna. Levou um susto, quando olhou e viu de onde vinha tanta luz. No fundo da caverna, havia um menino, um menino gigante. E em suas mãos, ele tinha a fonte daquela luz, pequenos pedaços que tinham luz, uma luz muito bonita.
- Olá – disse o pequeno astronauta. O menino gigante, assustado perguntou.
- Quem é você? E o que faz na minha casa?
- Me desculpe entrar na sua casa em pedir permissão. Eu entrei por curiosidade, queria saber que luzes são essas?
- Ué?! Como assim, que luzes são essas? Você não sabe? – e o menino gigante fez um aceno para que o pequeno astronauta sentasse.
O menino gigante e o pequeno astronauta conversaram durante muito tempo. O astronauta contou ao gigante menino, do seu planeta. O menino gigante, contou como tinha achado os pedaços de luz, um dia enquanto passeava pelo jardim.
- Todos têm nomes, sabia? -dizia o menino gigante- Estas menores eu chamo de estrelas, estas aqui com caudas brilhantes, são encantadas e faço sempre meus desejos e pedidos a elas, esta redonda aqui- e pegou-a na mão- chamo de Lua, ela tem fases, dias em que é redondinha como esta agora e outras em que está pequenina e ai ela vai crescendo até ficar redondinha novamente.
E os meninos conversaram durante toda a noite, e riram, e brincaram, e viraram grandes amigos.
- Menino Gigante, menino gigante! Sei que somos amigos, mas no seu planeta eu não posso viver! Terei de voltar pra casa.
E os dois meninos, o gigante e o pequeno astronauta, que estavam sentados em volta da Lua, ficaram tristes por terem que se despedirem. Neste momento, o menino gigante teve uma brilhante idéia. Daria um presente, um presente ao pequeno astronauta do planeta distante.
Quando o astronauta, foi procurar o menino gigante em sua caverna para dizer “tchau”, não o achou. Encontrou somente uma carta.
“Meu caro amigo.
Não sou bom com despedidas. Por isto, não estou aqui. Tchau, sentirei sua falta.
P.S Quando chegar ao seu planeta natal olhe para o céu.”
Logo que o astronauta posou com sua nave, em seu planeta, percebeu. Havia algo diferente, já era noite, mas, estava uma noite tão iluminada. Assim como, a noite na caverna do menino gigante, lembrou-se da carta e olhou para o céu.
Olhou e viu. Todas as estrelas e a Lua também, grande e branca no céu.
Desde então, as noites no planeta do pequeno astronauta, não são tão escuras. As noites são iluminadas, cheias de todas as estrelas. E os cometas! Ah, os cometas, que cortam o céu com sua luz, e põem crianças a desejar.
O carnaval da menina
Nunca entenderá o porquê daquele presente, ‘Bata-o com força e pule. Seja Feliz’ e morreu, foram as últimas palavras de sua avó. Morava em um pequeno vilarejo, numa rua de calçamento de pedra, e casas simples, mas coloridas.
Foi quando, em uma terça-feira qualquer, começou o barulho, que descia a rua de pedra. Correu para a janela, com cortina de chita, para identificar de onde vinha o barulho, pôs a cabeça pra fora e no alto da rua, viu.
Viu pessoas cantavam a marchinha, pulando conforme a batida da banda. Era o carnaval. E foi se contagiando. Se contagiando e contagiando. Quando uma idéia brilhou sobre sua cabeça. Correu pela casa, correu até o velho baú, abri-o. Pegou a herança. Pegou a herança de sua avó, e admirou-a. E foi embora. Atrás da bandinha de carnaval, pulando e batendo na herança- pandeiro. E se fez feliz. Feliz pulando um carnaval.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Anarquismo
E as sombras que eu via no chão, eram dos pequenos galhos da árvore, ainda adolescente, em que eu me recostava.
Ao fundo, uma música cantava, o tempo, o amor. O vento soprava meus cabelos, podia ouvir os grilos. Sentada na grama, de pés descalços, eu olhava as formigas pretas, pequenas e grandes trabalhadoras.
Dizia a cantiga infantil, há muito esquecida.
E com o telefone na mão, oscilava. Ligo ou não? Acho que ela precisa de mim. Não, é me achar boa demais, pensar assim. Mas, talvez. Talvez somente eu, saiba o quanto eu, precisava dela.
Meus pensamentos, disperçaram-se no ar. Quando ouvi passos. Tentei disfarçar, minha cara de perdida e desconectada. Não deu certo.
Olhou para mim. Eu olhei-o de volta. Estava com as perguntas prontas mas,optou por não fazê-las.
Há pouco, eu tinha-o descoberto. Descoberto o quanto era comigo, parecido. Seus movimentos e gestos, eu quase me via fazer o mesmo, que ele.
Ele, igual ao pai. Eu. Eu, sou igual ao meu. Meu pai.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Minha criança e infância
Remexendo em coisas antigas, cartas, fotos e declarações. Desperto antigas lembranças, das quais em nem sabia, dos natais passados entre meus amigos, de idas ao parque com meu pai (que sempre segurava minha mão, e me olhava com carinho), dos conselhos de minha avó (era muito mais criança com ela, eram abraços e beijos, brinquedos e quitutes favoritos).
A nostalgia que assistia á tudo, ao meu lado, abraçou-me, e eu chorei, quando me dei conta da presença dela, e ela acalmava-me "Minha criança, estou aqui. Estou aqui."
No fundo da caixa, acho uma preciosidade. Uma carta, uma carta minha, e tinha minha letra de criança e marcava a data, atrás estava escrito: pra você.
"A partir de hoje, você não será mais criança. Me desculpa, por ter que me ausentar de você. Mas é assim, assim que funciona. Um dia você acordorá e perceberá que não é mais criança. Não fique amargurada, lembre-se de que um dia eu estive aí, a vida sem mim será cheia de sobriedade, mas ainda assim, você poderá e deverá tentar ser feliz, se sentar em um parque, num domingo cheio de sol, comer um algodão-doce e se sentir envadida, de felicidade, simples e sem perguntas, somente feliz.".
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
O Desejo do medo
De repente, está de bem.
Ela, ao espelho, faz as pazes com o mundo ao seu redor. Começa a seduzir com caras e bocas, falantes e sensuais - narcisismo - ela é linda, sabe que pode e o que quer vai pegar. Normalidade nenhuma, depois de uma primeira troca de gentilezas sutis pra ínicio de conversa, despois, hmm depois, ela te convence de que, tédio e tristeza, somente se ela quer. Movida por paixão, poucas coisas a seguram - como o braço forte e moreno, ao seu lado.
Ansiosa, morde os lábios. Não aguenta esperar, ele não liga. Em casa, fuma diante -novamente - do seu reflexo. E sempre ouve passado, sua avó tinha razão, "Vá minha filha, de uma volta no mundo e carimbe seu perfume nos ventos, em todos os cantos, seus encantos."E ela foi.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Máscara de porcelana chinesa
Questionava a existência de Deus e da alma,com seu analista. Leila sempre o descrevia,como homem de grande pata e grande coração, assim como a foto de seu cahorro que ficava sobre a mesa dele, ao lado de sua agenda com preciosas anotações, sobre ela e seus outros pacientes.
- Você gosta de cachorros? perguntou ele a Leila
- Nunca tive um.
- Nem quando criança? Muitas crianças tem cachorros.
- Acho que nunca fui criança.
- Você já teve alguém?
- Sim, e antes que você me pergunte, ele se desfez.
- O que se desfez?
- Tudo. Não acontecerá nada e ficará assim, até o fim dos tempos, onde somente não será esquecido a paixão. Minha face ele não mais lembrará, deixei somente meu carinho, quando passei por ele. Além do mais, agora não sei mais se .. - Leila parou de falar, e procurou-o.
Ele estava a observando, ela sentou ao seu lado e olhou nos seus olhos, ela sentia que ele a queria devorá-la, compreendê-la. Ela sabia disso, e por compaixão dizia: Nem eu me entendo, não se atire no meu abismo. No fundo, Leila acreditava nas pessoas, apesar de dizer o contrário. Sempre conseguiu arrebatar qualquer homem ou mulher que desejasse, com um olhar. Mas não era completa, não se sentia assim.
Gritou, as paredes foram testemunhas. E escreveu em um papel:Dói muito. Minh'alma dói. Irei libertá-la. Sobre as palavras, caíram lágrimas, que mancharam o nanquim.
E o silêncio imperou.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Helena
Nada acontece. E os dias são sempre iguais.
Somente de raiva eu choro, minhas lágrimas escorrem, são pequenas gotas de gelo. Chego a pensar se ainda vivo, se ainda em mim a vida habita, e eu?Será que eu habito a vida? Será que habito a vida de alguém? De quem?
Perco a noção, palavras proferidas por mim atingem somente a mim mesma, mortalmente, de meus ferimentos escorrem o tédio. Por mim o tempo passa, e seus efeitos em mim, são sentidos. Eu não passo pelo tempo, nem causo efeito algum sobre ele, nem sobre ninguém.
Minha história contarei as paredes, minha história. Histórias eu contarei, de como fui criança e cresci, e mulher feita, vários homens eu amei, e nenhum deles me amaram. Esperei durante algum tempo que algo, alguém, que me arrebatasse de mim mesma, perdida em minha sobrevida.
Palavras doces. Foi assim que uma velha amiga, que há pouco tempo conheço, pedia-me que lhe dissesse algo doce, perdi-me em meus pensamentos pensando naquilo, o que me impediu de continuar a ouvi-la. Quando voltei a mim, ela estava tirando de sua bolsa, um livro de capa vermelha, um vermelho já velho, as páginas daquele volume já haviam amarelado pelo tempo assim como eu, ela abriu em uma página determinada por um papel de bala. E começou a ler pra mim: “Exagerada toda a vida: minhas paixões são ardentes; minhas dores de cotovelo, de querer morrer; louca do tipo desvairada; briguenta de tô de mal pra sempre; durmo treze horas seguidas; meus amigos são semi-irmãos; meus amores são sempre eternos e meus dramas, mexicanos!”.
Voltei meus olhos para os dela, que me observavam curiosos. Dei um sorriso, sorriso livre de qualquer falsidade, da qual nossa sociedade vive. Foram os olhos dela que me retribuíram o sorriso, seus lábios fechados, demonstravam quererem segredar-me algo. Num gesto delicado e suave, ela colocou seus lábios ao lado de minha orelha e retirou meus cabelos passando seus dedos frios, pelo meu pescoço, causou um arrepio prazeroso. Sussurrou palavras apaixonadas, em um hálito fresco e doce.
Novamente senti um arrepio prazeroso quando, ela parou de sussurrar e pegou minha mão. Virei-me para ela, estávamos em um parque, muito verde, as grandes árvores se balançavam, com o forte vento quente de verão, o sol se punha atrás destas mesmas árvores e o céu estava de um azul límpido sem nuvens, e eu me senti como se estivesse acabado de acordar, minha visão um pouco embaralhada e esbranquiçada. Dei-lhe um beijo, segurei o rosto dela com minhas mãos e toquei os seus lábios, ela fechou os olhos para prolongar aquele momento. Levantei-me, deixe-a sentada de olhos fechados, e fui embora. Meus pensamentos seguintes..., eu não conseguia pensar, somente sentir; mas que belo estranho dia para se ter alegria.