quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Anarquismo

Ás vezes, eu penso. Penso mesmo, que os filhos são grandes anarquistas.
E as sombras que eu via no chão, eram dos pequenos galhos da árvore, ainda adolescente, em que eu me recostava.
Ao fundo, uma música cantava, o tempo, o amor. O vento soprava meus cabelos, podia ouvir os grilos. Sentada na grama, de pés descalços, eu olhava as formigas pretas, pequenas e grandes trabalhadoras.
Dizia a cantiga infantil, há muito esquecida.
E com o telefone na mão, oscilava. Ligo ou não? Acho que ela precisa de mim. Não, é me achar boa demais, pensar assim. Mas, talvez. Talvez somente eu, saiba o quanto eu, precisava dela.
Meus pensamentos, disperçaram-se no ar. Quando ouvi passos. Tentei disfarçar, minha cara de perdida e desconectada. Não deu certo.
Olhou para mim. Eu olhei-o de volta. Estava com as perguntas prontas mas,optou por não fazê-las.
Há pouco, eu tinha-o descoberto. Descoberto o quanto era comigo, parecido. Seus movimentos e gestos, eu quase me via fazer o mesmo, que ele.
Ele, igual ao pai. Eu. Eu, sou igual ao meu. Meu pai.

Um comentário:

BárbaraB. disse...

Deitada em minha cama, pensava se ligaria ou não. Talvez ela não soubesse o quanto precisava dela. Ou o quanto me senti má ao ouvir que ela precisava de mim. Má porque eu não pude estar com ela quando ela precisou. Mas, eu estive. Estive não em completo, mas nas lembranças guardadas em seu coração.

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