1. Na sala de espera,..
O homem. Chegou poucos segundos depois de mim, impaciente, não ficou sentado no sofá de brechó, (gelado) da sala de espera. Nesta sala, continham as mesmas coisas, que têm outras salas de espera, a música ao fundo era da radio que minha mãe ouvia todas as tardes, havia uma mesinha de canto com revistas já velhas, uma secretária que muito provável seria Tia-Avó do Analista.
Ele, talvez. Não, é certeza, ele não estava por vontade própria naquela sala. Talvez, a mãe o tivera obrigado, longínqua hipótese, sua mulher o tenha obrigado. De barba por fazer, camisa bege mal passada, sapato preto; tragava desesperadamente cada cigarro, fumou três ou quatro andando, de um lado á outro, sempre olhando para a porta fechada, onde se encontra a verdade, a que viemos, ambos buscar.
Recorri em última alternativa. Pois até Deus, se cansara de me ouvir. De ouvir,
minhas intermináveis dúvidas de incredulidade. E no silêncio misterioso do Divino, escuto os berros insanos da verdade.
2. A sombra da Mulher
Não bastava-me. Eu havia descoberta o humano, no analista. E não queria o mais. Minha descoberta atordoava-me. Sem direção, saí a rua.
Caminhou ao meu lado, tentando alcançar meu ritmo de passos. Sua voz suave e educada "Por favor, será que posso acompanha-lá?". Olhei para trás, e vi uma sombra, sem encara-la respondi afirmativamente com a cabeça. Esperei- a chegar até mim. Justificou, que àquela hora não se sentia bem em andar sozinha por aquelas ruas depois do escurecer, não havia percebido já tinha escurecido.
"O que uma jovenzinha faz tão solitária?"
"Tentando recolher meus pensamentos pelo caminho."
"Quando tiver a minha idade, não vai mais querer perambular na solidão, como faz agora." Levantei meus olhos, na tentiva de ve-la, com a ajuda da fraca luz, do poste do outro lado da rua. E novamente, falou de que não deveriamos andar sozinhas. "Você parece não temer, por quê?"
"Não tenho medo, sinto-me confortável e segura ao andar por aqui, que não sei onde.". Percebi que seus olhos procuravam minha face que, encarava o chão á procura do perdido, interrogava-me de lábios selados.
"Creio que seja pela relação que tenho com o passado. Minha mãe morou logo ali - apontei a capela do cemitério - cresceu com os fantasmas qu aqui habitam e que tanto te assutam. Eles me são familiares."
Espantou-se. Arrepeiou-se e parou. Parou boaquiaberta. Ao perceber meus fantasmas. E eu sem olhar para trás, continuei. Sempre continuava. Sempre acompanhada. Eu e meus fantasmas. Não havia ninguém, alma alguma, que me entendesse, como as almas que vagavam andarilhas ao meu lado.
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