quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Máscara de porcelana chinesa

Bonita,sua sensualidade não é forjada. Mulher forte, com máscara de porcelana chinesa, esconde seus desesperos e angústias, numa afirmação de pulsos envoltos no mais lindo dos cetins, vermelho.
Questionava a existência de Deus e da alma,com seu analista. Leila sempre o descrevia,como homem de grande pata e grande coração, assim como a foto de seu cahorro que ficava sobre a mesa dele, ao lado de sua agenda com preciosas anotações, sobre ela e seus outros pacientes.

- Você gosta de cachorros? perguntou ele a Leila
- Nunca tive um.
- Nem quando criança? Muitas crianças tem cachorros.
- Acho que nunca fui criança.
- Você já teve alguém?
- Sim, e antes que você me pergunte, ele se desfez.
- O que se desfez?
- Tudo. Não acontecerá nada e ficará assim, até o fim dos tempos, onde somente não será esquecido a paixão. Minha face ele não mais lembrará, deixei somente meu carinho, quando passei por ele. Além do mais, agora não sei mais se .. - Leila parou de falar, e procurou-o.
Ele estava a observando, ela sentou ao seu lado e olhou nos seus olhos, ela sentia que ele a queria devorá-la, compreendê-la. Ela sabia disso, e por compaixão dizia: Nem eu me entendo, não se atire no meu abismo. No fundo, Leila acreditava nas pessoas, apesar de dizer o contrário. Sempre conseguiu arrebatar qualquer homem ou mulher que desejasse, com um olhar. Mas não era completa, não se sentia assim.

Gritou, as paredes foram testemunhas. E escreveu em um papel:Dói muito. Minh'alma dói. Irei libertá-la. Sobre as palavras, caíram lágrimas, que mancharam o nanquim.
E o silêncio imperou.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Helena

Nada acontece. E os dias são sempre iguais.

Somente de raiva eu choro, minhas lágrimas escorrem, são pequenas gotas de gelo. Chego a pensar se ainda vivo, se ainda em mim a vida habita, e eu?Será que eu habito a vida? Será que habito a vida de alguém? De quem?
Perco a noção, palavras proferidas por mim atingem somente a mim mesma, mortalmente, de meus ferimentos escorrem o tédio. Por mim o tempo passa, e seus efeitos em mim, são sentidos. Eu não passo pelo tempo, nem causo efeito algum sobre ele, nem sobre ninguém.
Minha história contarei as paredes, minha história. Histórias eu contarei, de como fui criança e cresci, e mulher feita, vários homens eu amei, e nenhum deles me amaram. Esperei durante algum tempo que algo, alguém, que me arrebatasse de mim mesma, perdida em minha sobrevida.
Palavras doces. Foi assim que uma velha amiga, que há pouco tempo conheço, pedia-me que lhe dissesse algo doce, perdi-me em meus pensamentos pensando naquilo, o que me impediu de continuar a ouvi-la. Quando voltei a mim, ela estava tirando de sua bolsa, um livro de capa vermelha, um vermelho já velho, as páginas daquele volume já haviam amarelado pelo tempo assim como eu, ela abriu em uma página determinada por um papel de bala. E começou a ler pra mim: “Exagerada toda a vida: minhas paixões são ardentes; minhas dores de cotovelo, de querer morrer; louca do tipo desvairada; briguenta de tô de mal pra sempre; durmo treze horas seguidas; meus amigos são semi-irmãos; meus amores são sempre eternos e meus dramas, mexicanos!”.
Voltei meus olhos para os dela, que me observavam curiosos. Dei um sorriso, sorriso livre de qualquer falsidade, da qual nossa sociedade vive. Foram os olhos dela que me retribuíram o sorriso, seus lábios fechados, demonstravam quererem segredar-me algo. Num gesto delicado e suave, ela colocou seus lábios ao lado de minha orelha e retirou meus cabelos passando seus dedos frios, pelo meu pescoço, causou um arrepio prazeroso. Sussurrou palavras apaixonadas, em um hálito fresco e doce.

Novamente senti um arrepio prazeroso quando, ela parou de sussurrar e pegou minha mão. Virei-me para ela, estávamos em um parque, muito verde, as grandes árvores se balançavam, com o forte vento quente de verão, o sol se punha atrás destas mesmas árvores e o céu estava de um azul límpido sem nuvens, e eu me senti como se estivesse acabado de acordar, minha visão um pouco embaralhada e esbranquiçada. Dei-lhe um beijo, segurei o rosto dela com minhas mãos e toquei os seus lábios, ela fechou os olhos para prolongar aquele momento. Levantei-me, deixe-a sentada de olhos fechados, e fui embora. Meus pensamentos seguintes..., eu não conseguia pensar, somente sentir; mas que belo estranho dia para se ter alegria.