quinta-feira, 29 de julho de 2010

Memória Sensitiva I

Espiava pela porta entreaberta.
As janelas e cortinas estavam fechadas, a meia luz que iluminava o quarto de costura vinha do quebra luz que, estava em cima da mesinha, e sobre ela estava o seu cinzeiro.
Entrei no quartinho escuro e procurei por ela, estava sentada na poltrona o tricô em seu colo, o olhar perdido enquanto batia as cinzas do cigarro no cinzeiro, ainda não notara minha presença. Voltou a si, e o gesto que se segue encantava me sem que pudesse desviar o olhar, numa elegância nata sua mão leva a boca que espera o cigarro levemente entreaberta e traga sem que percebamos, apoia o cigarro no cinzeiro, sem levantar o olhar nem interromper o tricô diz, sabes que tem de bater pedir licença antes de entrar, respondo que sim eu bati, e continua a tricotar enquanto eu observo.

Continua.