quinta-feira, 10 de março de 2011

Devaneio(s)

Hoje acordei de um sobressalto.
Eu morri, hoje eu morri.
Alguém, definitivamente, me matou. esqueceu me, beijou lábios que não foram os meus, gozou entre coxas macias que não eram as minhas, gemeu outro nome que não o meu.
Fumo, admiro a vista que tenho pela janela, toda a cidade, nas ruas os bêbados e operários. Sou libertada do devaneio, a chuva apaga meu último cigarro - havia fumado todo o maço - na rua as pessoas correm para debaixo de toldos das lojas, abrem seus guarda chuvas, não importo me em sentar à cadeira da sacada, e deixar me lavar pela chuva.
Esta vida é pouca. Pouca pra mim, terei que viver muitas vidas mais para perdoar e pedir perdão, para viver ociosa, para explorar todos os mundos. E por fim, em minha última vida quero morrer senão de amor.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Eclipse Oculto

Nosso amor
Não deu certo
Gargalhadas e lágrimas
De perto
Fomos quase nada
Tipo de amor
Que não pode dar certo
Na luz da manhã
E desperdiçamos
Os blues do Djavan...
Demasiadas palavras
Fraco impulso de vida
Travada a mente na ideologia
E o corpo não agia
Como se o coração
Tivesse antes que optar
Entre o inseto e o inseticida...
Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa
Qualquer em você
O que será?
Como nunca se mostra
O outro lado da lua
Eu desejo viajar
Do outro lado da sua
Meu coração
Galinha de leão
Não quer mais
Amarrar frustação
O eclipse oculto
Na luz do verão...
Mas bem que nós
Fomos muito felizes
Só durante o prelúdio
Gargalhadas e lágrimas
Até irmos pro estúdio
Mas na hora da cama
Nada pintou direito
É minha cara falar
Não sou proveito
Sou pura fama....
Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa
Qualquer em você
O que será?
Nada tem que dar certo
Nosso amor é bonito
Só não disse ao que veio
Atrasado e aflito
E paramos no meio
Sem saber os desejos
Aonde é que iam dar
E aquele projeto
Ainda estará no ar...
Não quero que você
Fique fera comigo
Quero ser seu amor
Quero ser seu amigo
Quero que tudo saia
Como som de Tim Maia
Sem grilos de mim
Sem desespero
Sem tédio, sem fim...
Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa
Qualquer em você
O que será?

(Caetano Veloso)

O Caderno

Parte II
Aquele caderno velho e surrado, destoava dentre as coisas delas, observei. Estamos começando uma nova fase, ela disse enquanto fechava a porta do elevador, no seu carro duas caixas lacradas com escrito 'mudança', você leva a mais pesava pra mim ela disse sorrindo eu levaria o mundo nas costas se ela assim pedisse, com aquele sorriso, meu coração palpitava minhas mãos suavam frio estava diante de um abismo no qual mergulhava com facilidade e feliz, por ela.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Caderno

Parte I
Descobrir quem se esconde.
Por trás das linhas escritas num caderno velho de capa vermelho sujo,
de letra delicada e apressada, paginas paginas, surradas, parte delas sujas de cinzas - de cigarro e dela - lágrimas marcam as palavras doloridas. No caderno velho de capa vermelho sujo, pequenos segredos, desejos, frustrações amorosas, contados em menores particularidades.
[...]eu sentia era em mim que suas mãos tocavam e acariciavam as costas, seu rosto junto ao meu sentia sua respiração tépida e ofegante, beijava me a nuca o pescoço a boca num beijo com sabor pecaminoso[...]
Fatalmente acordo, gozando sensações daquele delicioso sonho, fumo cigarro sobre cigarro e a noite avança quente e silenciosa, enquanto observo a cidade pela janela.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Caros amigos

Pequenos detalhes importarão. Ação. Quero ação.
Conquistar o mundo. Cada dia com um plano,
uma saída de mestre nas ruas sem aparente saída.
Encarar o mundo de peito aberto será mais fácil,
muda-lo ou conquista-lo.
Pensamentos tortos e perdidos assim como eu.

- Somos humanos!
E à nossa juventude, um brinde.
Ainda há esperanças, Caros amigos.






We wear our scarves just like a noose
But not 'cause we want eternal sleep
And though our parts are slightly used
New ones are slave labor you can keep

We're living in a den of thieves
Rummaging for answers in the pages
We're living in a den of thieves
And it's contagious

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Carlos Drummond de Andrade

Um escritor nasce e morre

I

Nasci numa tarde de julho, na pequena cidade onde havia uma cadeia, uma igreja e uma escola bem próximas, umas das outras, e que se chamava Turmalinas. A cadeia era velha, descascada na parede dos fundos, Deus sabe como os presos lá dentro viviam e comiam, mas exercia sobre nós uma fascinação inelutável (era o lugar onde se fabricavam gaiolas, vassouras, flores de papel, bonecos de pau). A igreja também era velha, porém não tinha o mesmo prestígio. E a escola, nova de quatro ou cinco anos, era o lugar menos estimado de todos. Foi aí que nasci: Nasci na sala do 3 ° ano, sendo professora D. Emerenciana Barbosa, que Deus tenha. Até então, era analfabeto e despretensioso. Lembro-me: nesse dia de julho, o sol que descia da serra era bravo e parado. A aula era de geografia, e a professora traçava no quadro-negro nomes de países distantes. As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes, e Paris era uma torre ao lado de uma ponte e de um rio, a Inglaterra não se enxergava bem no nevoeiro, um esquimó, um condor surgiam misteriosamente, trazendo países inteiros. Então, nasci. De repente nasci, isto é, senti necessidade de escrever. Nunca pensara no que podia sair do papel e do lápis, a não ser bonecos sem pescoço, com cinco riscos representando as mãos. Nesse momento, porém, minha mão avançou para a carteira à procura de um objeto, achou-o, apertou-o irresistivelmente, escreveu alguma coisa parecida com a narração de uma viagem de Turmalinas ao Pólo Norte.


É talvez a mais curta narração no gênero. Dez linhas, inclusive o naufrágio e a visita ao vulcão. Eu escrevia com o rosto ardendo, e a mão veloz tropeçando sobre complicações ortográficas, mas passava adiante. Isso durou talvez um quarto de hora, e valeu-me a interpelação de D. Emerenciana :


- Juquita, que que você está fazendo?


0 rosto ficou mais quente, não respondi. Ela insistiu :


- Me dá esse papel aí. . . Me dá aqui.


Eu relutava, mas seus óculos eram imperiosos. Sucumbido, levantei-me, o braço duro segurando a ponta do papel, a classe toda olhando para mim, gozando já o espetáculo da humilhação. D. Emerenciana passou os óculos pelo papel e, com assombro para mim, declarou à classe:


- Vocês estão rindo do Juquita. Não façam isso. Ele fez uma descrição muito chique, mostrou que está aproveitando bem as aulas.


Uma pausa, e rematou:


- Continue, Juquita. Você ainda será um grande escritor.


A maioria, na sala, não avaliava o que fosse um grande escritor. eu próprio não avaliava. Mas sabia que no Rio de Janeiro havia um homem pequenininho, de cabeça enorme, que fazia discursos muito compridos e era inteligentíssimo. Devia ser, com certeza, um grande escritor, e em meus nove anos achei que a professora me comparava a Rui Barbosa.


A viagem ao Pólo foi cuidadosamente destacada do caderno onde se esboçara, e conduzida em triunfo para casa. Minha mãe, naturalmente inclinada à sobrestimação de meus talentos, julgou-me predestinado. Meu pai, homem simples, de bom-senso integral, abriu uma exceção para escutar os vagidos do escritorzinho. Ganhei uma assinatura do Tico-Tico, presente régio naqueles tempos é naquelas brenhas, e passei a escrever contos, dramas, romances, poesias e uma história da guerra do Paraguai, abandonada no primeiro capitulo para. alívio do Marechal Lopez.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sou eu

Quando escrevo sinto me diante de um grande abismo, jogar me dentro dele tornasse um alivio, escrevo coisas que significam ou significaram pra mim e sinto que faz parte do meu MUNDO, que crio naturalmente, e é pra lá que corro seguindo meus pés que sabem o caminho, tão particular que seria impossivel pra mim usar comparativos para explicar lhe o quão meu é.

Rafaela.