sexta-feira, 8 de maio de 2009

Leve, como leve pluma

Sempre há um verso ou refrão idiota, que canta a segurança que se encontra nos braços da pessoa amada. Destas músicas eu tenho fugido, desliguei o rádio. E os LP's que cantam o amor, e babaquices do gênero "estou amando", estão numa caixa em baixo da cama. Assim escondidos, para eu não acha-los.
Mal amada, deve estar pensando enquanto lia, contudo não. Estive amando, digo assim, pois o amor, hoje em dia, funciona como verbo. Estou amando, Ele ama, Nós amamos.
Desejo paixão. Era isso, não queria a felicidade generosa do amor. Paixão, egoísta, canalha e sem recados na caixa de mensagens do estilo, "Liguei porque queria ouvir a sua voz, estou com saudade. Beijo, depois te ligo".
E liga. Pode esperar, ele ligará novamente.

Sai pra rua. Á procura, do canalha e sujo, quente e sem nome, da paixão. Ao menos a estação, me ajudava. O verão. As pessoas suadas, e meladas de desejo. O rapaz desejava a Menina do vestido verde. A Menina do vestido verde, bom aquela menina, queria a Menina com cabelo rabo de cavalo.
Estava procurando no lugar certo. Achei-a. Talvez, não sei. Sempre eu fui, a do contra, a que marca a opção negativa.

De repente, ele envolveu-se nos meus cabelos por entre meus pensamentos. Pernas tremulas, sua mão aperta minha nuca. Nego-me, viro o rosto, mordo meus lábios com vontade. Ai, como eu resisto. Não resisto.
E ao termino. Ele me impedia de ir, segurou me por pouco tempo, estava inebriado com o perfume e formas de uma mulher. A minha mulher.
Enquanto o vento por entre passava meu cabelo, cabelo de textura do tipo que merece um poeta a descreve-lo, e rodopiava o vestido florido, que marca minha silhueta. Desci a ladeira ensolarada, com a crianças todas à sarjeta, lambendo seus sorvetes.

Contudo, assim que passei por uma pequena casa de cor já desbotada. Um casal de velhinhos, sentados em banquinhos de mãos dadas observavam a rua, talvez seus netos que brincavam.
Quando por breve segundos, não sei se por acaso quisessem dizer algo um para o outro ou uma troca de olhares simples e carinhosa seguida de um belo sorriso "te amo", eu quis. Desejei o do próximo. Quis pra mim, algo assim. Um amor de tantas rugas.
Eu sou assim assado, de um extremo à outro. Nunca o meio tremo, meio torto, meio certo, meio errado.



Ao som de "Um Blues" Bruna Caram, escrito.

2 comentários:

Leandro Noronha da Fonseca disse...

teu blog é legal... e você escreve bem. E é difícil escrever sobre amor.

beijo.

hasta!
(leandro, 3ºC)

Unknown disse...

nossa Rafa, que lindo.
Obrigada pela foto no blognunca pensei que alguem usaria uma foto minha,rere *-*