sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Memória Sensitiva

"E no teu olhar,tonto de emoção
com sofreguidão, mil venturas previ"

Sempre me recordaria dele assim.
Na rua, todo a meninada gritava e brincava, mas ele estava sentado, na ponta da cadeira muito grande pra ele ainda pequeno, acompanhando um velho amigo pouco simpático talvez, todavia os fins de tardes na varanda de conversas intermináveis, de histórias do tempo em que o velho era jovem. O menino ouvia ao velho fascinado, podia ver através do olhos dele todo o mundo.
Em meu ouvido o menino sussurrou esta memória quase que remota, os olhos que me fitavam cheios de anseio e desejo, não eram mais do menino, o toque que me arrepiava, o hálito quente, ele não era mais o menino.
Peguei ele me olhando. À espreita. Me olhando. O menino.

2 comentários:

Renata disse...

Você é o meu maior exemplo de sensibilidade e transparência. Você tem um dom lindo e maravilhoso, nasceu para escrever. Não faça parecer que essa sua habilidade seja amadora, porque ela não é, definitivamente. Você tem talento, Rafa...
E como eu sempre dizia, continue escrevendo... não pare!

Beijo carinhoso de uma pessoa que admira sua personalidade ácida e delicada.

Cinthia Paquetá disse...

quero mais textooooooos!